O papel do terapeuta na atualidade é ser o “médico” de família?

Com o advento da tecnologia moderna e com o desaparecimento do médico de família, a medicina despersonalizou-se, portanto, a responsabilidade da saúde de cada paciente recai sobre o próprio paciente, que é onde deve estar, contudo ultimamente tem-se visto uma busca desenfreada por todo tipo de tratamento, afim de suprir o vazio de seu desejo. Antes de rejeitar a terapia o indivíduo passa da psicanalise a psicofarmacologia e da psicoterapia a homeopatia, sem se dar tempo de refletir sobre a origem de sua infelicidade.


Quanto mais se fala em igualdade de todos perante a lei, mais se acentua as diferenças e de maneira maciça assiste-se uma busca pela individualidade dando a si mesmo uma ilusão de liberdade irrestrita.


Para Elisabeth Roudinesco o homem de hoje transformou-se no contrário de um sujeito. Longe de construir seu ser a partir da consciência das determinações que o perpassam à sua revelia, longe de ser uma identidade biológica, longe de pretender-se um sujeito livre, desvinculado de suas raízes e de sua coletividade, ele se toma por senhor de um destino cuja significação reduz a uma reinvindicação normativa. Por isso, liga-se a redes, a grupos, a coletivos e a comunidades, sem conseguir afirmar sua verdadeira diferença.


A igualdade é caracterizada também pelas substâncias químicas, ou psicotrópicos, que a partir de 1950 tem modificado a paisagem da loucura. Tais medicamentos substituíram a camisa de força e os tratamentos de choque. Embora não curem nenhuma doença mental ou nervosa, eles revolucionaram as representações do psiquismo, o homem novo que se forma é polido e sem humor, mas totalmente envergonhado por não ser conforme ao ideal que lhe é proposto.

A sociedade atual afirma Roudinesco é insuportável. As pessoas não conseguem mais dormir, ficam angustiadas e necessitam ser tranquilizadas. A humanidade, ao longo de sua evolução, foi obrigada a passar pelas drogas. Sem os psicotrópicos, talvez tivesse havido uma revolução na consciência humana, dizendo: “Não podemos suportar isso!” Mas foi possível continuar a suporta-lo graças aos psicotrópicos. Num futuro distante, a farmacologia talvez tenha menos interesse, a não ser, provavelmente, na traumatologia, e é até concebível que desapareça.



O conceito do campo de energia humano e universal vem ocupando espaço na sociedade ocidental, afim de ser uma alternativa de tratamento e que procura ser mais individualizada, sendo que a doença é só um sintoma, uma representação do campo energético do indivíduo. É possível reparar um paralelo do “campo energético” na psicanálise, por meio do descentramento do sujeito formulado por Freud.


Na psicanalise Reich contribuiu em seu livro Analise do Caráter (1933), com as couraças, segundo este uma análise não poderia ficar restrita unicamente a resolução de sintomas, um a um, como era habitual até então. Postulou que, como proteção contra ameaçadores estímulos exteriores e interiores, o ego estrutura-se defensivamente de forma tão organizada, que, na situação analítica, ela pode adquirir a dimensão de uma verdadeira couraça resistencial. Com relação a energia, este a chamou de Orgone, que flui longitudinalmente por meio da musculatura organizando nossas emoções afetivas.


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